segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Balanço das Eleições

Tal qual um pêndulo, ele vai e volta. Se você empurra alça alguém e por consequência existe um retorno. Se nada faz, de alguma forma ele em um dado momento se mexe e certamente se fará. Só que dessa vez não existirá interferência sua e quem o fez por você colherá o que hasteou. A bandeira da democracia, maldita. Bendita. Essa não é brincadeira de criança. Para crianças. Irreflexo.
Hoje temos o caminho se desenhando nos papéis. São árvores que não existirão mais, se extinguirão. Vidas ceifadas. Tortuosas. Ah, se levássemos a sério. A pobreza persistindo. As desilusões se procriando. A educação partindo. Os desenhos não apresentam mais sóis. A casa inda permanece de madeira. Trabalho de criança. Imprudência. Advertidos, mas inadvertidamente se fazem.
Os parques podem florescer menos, fruto dos descuidos, da inapetência política. Delicadeza dos traços finos e pouco perceptíveis da astúcia. O mar baterá mais, da raiva que Netuno terá ao ver resultados inglórios. E a individualidade continuará soltinha, pulando para melhor se satisfazer. Mas uma parte do mundo estará pior e dela de lá alguém se salvará?
Ver figuras exuberantes, exúberes do outro lado. Esse é o lugar que os trouxemos, a nossa verdade feia da inconseqüência. Da qual somos responsáveis. Onde elas irão brincar, se a gaiola mais se fecha a cada dia. Estufilha mais agastada onde se procriará mais raiva, ressentimentos e sentimentos de injustiça. Cresceremos incrédulos, mas esquecidos do mal que nos fizemos nesses dias. Quando de fato iremos crescer?

terça-feira, 27 de julho de 2010

MARX e O CONCEITO DE MAIS-VALIA


O conhecimento sobre Karl Marx é essencial para se compreender e se desenvolver no estudo de Economia Política. Mais conhecido por sua obra “O Capital” e suas idéias controversas, Marx viveu boa parte de sua vida em meio à miséria e ajudado principalmente pelo amigo Friedrich Engels também cientista social.
No entanto é um desafio o entendimento dos conceitos do revolucionário alemão, mesmo estudiosos do assunto reconhecem sua dificuldade. Muito se deve aos fatos ligados diretamente ao transcorrer de sua vida, como Raymond Aron à época professor em Sorbonne (França):

O estudo científico, isto é, ao mesmo tempo filosófico e histórico, do pensamento de Marx se apresenta sob condições singulares, por duas razões essenciais: as particularidades da própria vida de Marx e o destino póstumo de sua obra. Tentarei analisar as duas origens dessas dificuldades excepcionais (ARON, 2003, p.21).

Apesar de ser mais conhecido por um único escrito, Marx, foi autor de vários livros entre eles: Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel; Manifesto comunista; As lutas de classe na França de 1848 a 1850; O 18 brumário de Luís Bonaparte; Introdução geral à crítica da economia política; Fundamentos da economia política; Contribuição à crítica da economia política; O Capital; Teorias sobre a mais-valia; Trabalho assalariado; Salário, preço e lucro; Crítica ao programa de Gotha. Além disso, escreveu para revistas e jornais entre 1841 e 1864, diante de tão vastos textos é escolhida uma temática única (o conceito de Mais-Valia), pois que uma abordagem mais extensa não seria possível nesse momento.
A escolha pelo assunto é por ser considerado uma das idéias centrais abordadas sobre a ciência da Economia.
Para o filósofo, o conceito provém da idéia de valor, a qual é separada em valor de uso e de troca. O valor de uso é subjetivo, ou seja, varia de quem irá usar, ao passo que o de troca é objetivo, manifestado diretamente nas relações sociais, troca, compra ou venda de produtos. Para o tema o importante é o valor de troca, pois é dele que se elenca o da questão econômica. Assim, Marx diz que a fonte básica do valor não é a circulação do dinheiro, mas o trabalho humano.
Num apanhado sucinto, a concepção de mais-valia é dada através do valor do produto menos o salário paga ao operário. Nisso estão envolvidos, o adiantamento do trabalho ao capitalista, os gastos com os equipamentos e utensílios ligados à confecção do produto e o cálculo que do valor que a mercadoria terá no mercado. Não se deve confundir esta idéia com a de lucro, pois segundo o cientista, este é apenas parte da mais-valia, já que neste estão inseridos também os dinheiros envolvidos com o funcionamento do negócio, além de juros e outras implicações que a propriedade pode permitir. “Toda mais-valia – seja qual for a forma específica em que ela se cristalize (lucro, juros, rendas etc.) – é sempre, substancialmente, a materialização de tempo de trabalho não pago” (KONDER, p.119, 1999).
É interessante notar que, contudo essa opinião a respeito do pensamento não é compartilhada por todos, e por vezes a abordagem é diferente, assim como a construção da conceituação. Numa troca, a mercadoria negociada por meio de dinheiro obtém certo valor, essa mercadoria obtida é despendida em nova venda obtendo-se outro tanto de dinheiro numa quantidade maior, conforme escreve Lênin: “É a este acréscimo do valor primitivo do dinheiro posto em circulação que Marx chama de mais-valia” (CATANI, p.27, 1995).
Como dito anteriormente, todo o momento e o próprio desenrolar das idéias desenvolvidas pelo revolucionário alemão são complexas e mesmo seus conceitos passam por variadas concepções. Primeiro pelo fenômeno histórico experimentado no século XIX.

É desnecessário realçar que esse fenômeno, muito complicado, resultou da concorrência de inúmeras variáveis. O que me interessa sublinhar, antes de tudo, é que nele estão dadas as condições sobre as quais Marx erigirá a sua obra. (NETTO, 1985, p.15).

Depois, pelas mudanças pessoais em que se inseriu o cientista, é indelével a diferença entre os momentos em que se encontra jovem e o que encontra a maturidade:

Mas, é de assinalar que sua obra é fruto de uma longa maturação, que ocupa pelo menos dois quintos do tempo em que Marx trabalhou. Com efeito, na sua trajetória intelectual (de 1841 até o início da década de 80) são perceptíveis momentos diferenciados, interrupções e retomadas (NETTO, 1985, p. 23).

Por fim, outra consideração a respeito da mais-valia é dada por Raymond Aron, como a designação de “valor adicionado”. Assim, é conceituado como a diferença entre as despesas de produção de uma empresa e o valor das mercadorias que esta empresa coloca no mercado. Que para Marx vem unicamente do capital variável, fruto exclusivo do trabalho humano.
Portanto, mesmo diante de diversas perspectivas é possível extrair o essencial do conceito de mais-valia. A importância desse entendimento se dá, pois ele é a chave da teoria filosófica de Marx considerada em especial na leitura de “O Capital”.

Insisti quanto a essa significação maior da teoria da mais-valia porque ela se evidencia em uma certa maneira de ler e de se interrogar “O Capital”. Ela fica evidente na interrogação filosófica de Marx à teoria econômica. (ARON, 2003, p.322).


REFERÊNCIAS

ARON, Raymond, O marxismo de Marx. São Paulo: Arx, 2003;
KONDER, Leandro. Marx, vida e obra. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1999.
NETTO, José Paulo. O que é Marxismo? 2ª. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985.
CATANI, Afrânio Mendes. O que é Capitalismo? 34ª. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Assassino

Sou assassino. Andando perdido pelas vielas, olhando desconfiando de todos e desejando sangue. Desvio-me para outro lado, e num gesto mais áspero, olho aquele e já o odeio e quero o morto. Tenho pena dos que atravessam a minha frente, pois morrerão como moscas. A vida deles não tem valor algum para mim. Até mesmo eu surpreendo-me com a frieza dos meus atos. Na verdade nem sei o que pode passar pela cabeça daqueles que depois se arrependem. Muito menos os que questionam os assassinatos hediondos. Para mim é tudo igual. Imagino o que de fato passa nessas mentes, penso ser tudo normal, matar e comer é tudo a mesma coisa. Eu mato. Para depois fazer qualquer coisa, mesmo encontrar uma criança e acariciar-lhe como se fora eu de boa índole. Quem de fora não repara e nem percebe a mente calculista e exterminadora, aquela que não tem remorso. Vê como assim como qualquer outro. Puxar o gatilho, sacar uma faca, dar uma paulada e olhar a vítima sem o menor sentimento, assim sou. Saiam da frente se quiserem sobreviver.

A morte anda ao meu lado e junto comigo sempre esteve. Compaixão, não existe se quero matar, mato e pronto nada sinto a seguir. Sou assassino. É minha natureza, nasci desse jeito, no começo estranhei porque os outros acham matar um ato bárbaro. Tratei de não tocar no assunto e prestei atenção para ser politicamente correto e encobrir os meus desejos de morte. Após as primeiras mortes cheguei a pensar que fosse aparecer aquele tal remorso que outros elucubram, mas nada veio, pelo contrário a satisfação crescia cada vez mais. Quanto mais eu odiava alguém, mas prazer eu tinha, principalmente no dia seguinte, e vinha-me um sorriso indisfarçável no canto da boca. Lembrava do corpo, dos olhares de pavor dos que sabiam que iam morrer. Mas, na maioria das vezes a morte abraçou minhas vítimas pelas costas, com pistolas, metralhadoras, facas e barras de ferro. Ver o corpo cair sem movimentos, molenga, é interessante. Aquilo sem reação. Confesso que elaborar as emboscadas também sempre me excitou. Alguns planos bem elaborados, de tempo e ações. Os medos nos olhos deles também me deixam com uma vontade ainda maior. Na morte das mulheres ou nos fraldinhas o pavor normalmente é exacerbado e é incontrolável o êxtase no meu corpo. Os covardes aumentam mais o desejo de ir além e sacrificar eles até o fim.

Gosto de caminhar no limiar da dor e do medo, na tremedeira deles, nas pernas bambas e até nos que se urinam. O riso vem de imediato, e o choro aumenta e vem a súplica. Dá vontade até de matar mais, de matar duas vezes pena que isto não é possível, pois algumas mortes são imperdíveis. Já pensei até em gravar, mas ficaria monótono. Meu trabalho é esse matar e não deixo rastros, minha “coleção” já passa dos quinhentos, acho que estou perto dos mil. Vez por outra vou ao enterro de um destes só para ver se tem algum que eu queira matar só por esporte. Pois é diversão também. Outro dia comecei a perceber que “tenho” jazigos próximos, um do lado do outro. Queria fazer uma fila. Infelizmente quando se mata da mesma família, o jazigo ou é o mesmo ou ficam longe.

É incrível também como meu nome nunca apareceu na mídia, também pudera, quem iria ia desconfiar de um homem como eu. Certinho, caridoso e de boa família. Quase um exemplo. Sem falar que algumas mortes sequer têm alguma ligação comigo. Escolho, sigo de longe e se não for naquele dia, da semana não passa. É na maioria das vezes ao acaso. Rio no dia seguinte, com os policiais atordoados sem saber por onde procurar, buscando quem tem motivos. Não preciso de motivos! Por isso é tão complicado chegar até mim. Além disso, jamais executo perto de onde moro. Prefiro os subúrbios. Lugares onde possa me misturar sem ninguém perceber que não sou dali.

Sou assassino, o melhor. O melhor do mundo. Crimes sem solução. Meu instinto é matar, destruir o que há de ruim, aquilo contrário as minhas vontades, o que está contra mim. O ódio toma conta do meu corpo e da minha alma, os pelos se eriçam, o sangue ferve e a vontade cresce. Aquele será minha próxima vítima. Gosto de olhar bem nos olhos, daquele que será cadáver, antes de matá-lo, quanto mais valente melhor, faço o mijar em suas calças, se tremer todo, encosto-lhe o ferro em sua fronte, no peito e até no ânus. O prazer de fazê-lo sentir medo, desespero, jamais algum conseguiu fugir após uma destas torturas psicológicas. O humilho e trago-o para um mundo desconhecido, alguns acham que são machos, mas não são totalmente até me encontrar e morrer.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Garota da Fábrica da Caixa de Fósforos


Filme que beira o sombrio, mas mostra a triste realidade da vida de algumas pessoas. Monotonia, tristeza e desalento. Interessante com seu tipo de filmagem onde há closes, poucas falas e muito a subentender. Para alguns acostumados a ação não é recomendado, é mais para a reflexão. Apesar de finlandês, a película tem muito com os costumes e culturas nacionais. Finalizado em 1990, tem valores mais para ortodoxos e cria um clima de melancolia. Vale a pena ver, nota 7.8 pela filmagem e mostra do comportamento humano, como característica do próprio cineasta Aki Kaurismaki não há de muitos recursos cinematográficos o que alguns podem se ressentir. Gostei do contato com a língua, misto na sonoridade, a priori de russo com alemão Visto em DVD.

# Áudio: Filandês
# Informações especiais: Extras: Biografia, Filmografia e Coleção Lume Filmes
# Estúdio: Lume
# Título Original: Tulikikkutahtaan Tytto
# Tempo: 72
# Cor: Colorido
# Ano de Lançamento: 2009
# Elenco: KATI OUTIMEN & ELINA SALO & ESKO NIKARRI
# Direção: AKI KAURISMÄKI
# Recomendação: 14 anos

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Cinema e sábado


Por qual razão sábado tem cara de cinema? Mesmo tendo possibilidade de ir durante a semana que é bem mais barato, somente no fim de semana é que olho para a rua e sinto o clima de filme e ar condicionado.

Obra: Vincent Van Gogh (Starry Night)

Seleção favorita para a Copa de 2010





Se depender de feiúra a seleção da Costa do Marfim já ganhou a Copa do Mundo de 2010 (veja fotos acima - Zokora, Kalou, Drogba e Gervinho e diga se não é uma realidade).
O certo é que a Canarinho terá vários pesadelos e não só por causa da aparência dos adversários, mas também pela força. Todos os jogadores são saradões e grandes. Dividida com esses caras é perda certa. Certeza nesse embate deveriam ser Júlio Baptista e Adriano, o “Tanque”, porque será uma guerra.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Credulidade


Não consigo acreditar em pessoas que não se indignam diante da pobreza, da injustiça e da miséria humana.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Decreto Salada


Dos assuntos mais comentados no momento em toda a imprensa, o Decreto 7.037 – “Direitos Humanos” (Programa Nacional de Direitos Humanos) fala sobre tudo e com todos os temperos. Não sabe ainda nada sobre ele? Baixe ele aqui.

Obra: Magritte.

Quem avisa amigo é


Com as ondas de calor e frio que estão em todo o globo, avisa-se: “quem não sabe nadar que aprenda logo e se possível compre seu bote inflável”. As loucuras do tempo não vão poupar ninguém.

Obra: David Friedrich

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Eleitoreiro - mesmo não sendo público


Visto o filme: "Lula, o filho do Brasil", algumas questões: Lula é estudioso? Lula nunca encheu a cara? Lula não conheceu Miriam Cordeiro?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Desavergonhado


Você não tem vergonha de fazer o que faz? Recuso-me a achar que seja exatamente você, afinal nunca teve personalidade própria e sempre se comportou como teleguiado. Mediocridade é seu nome, no sentido de inexpressivo, ordinário, de intelectualidade abaixo da média. Esperava pelo menos uma atitude de pacato que sempre foi, mas não, abriu o seu “eu” verdadeiro, mostrando que além de fraco de caráter é mesquinho. Não que vá muito além do que espera, pelo contrário vai retroceder e perderá o pouco que lhe falta de respeito próprio. Enfim, será ainda pior do aquilo que foi: um fracassado, um entregue, um mendigo de sentimentos. Fraco, repugnante e imbecil, para sempre Brasil.

Obra: Charles Martin